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#RetratosdoCIEDS: como o acolhimento contribuiu para um novo começo na vida de uma criança

Notícia
29 outubro 2026
#RetratosdoCIEDS: como o acolhimento contribuiu  para um novo começo na vida de uma criança

O acolhimento institucional vai além de oferecer um lugar seguro. Ele envolve cuidado cotidiano, escuta, acesso a direitos e articulação com a rede de proteção para construir possibilidades de futuro para crianças e adolescentes. Na Casa do Girassol, em Teresópolis (RJ), essa atuação fez parte da trajetória de uma criança que, após meses de acompanhamento, pôde voltar a viver com a mãe.

Quando chegou à Casa do Girassol, em julho de 2026, Joaquim, nome fictício utilizado para preservar sua identidade, tinha 10 anos e já havia passado por outros serviços de acolhimento. Sua trajetória exigia acompanhamento próximo, atenção às suas necessidades e um trabalho cuidadoso para fortalecer vínculos e ampliar suas possibilidades de convivência.

A adaptação não foi simples. Joaquim apresentava dificuldades importantes relacionadas à convivência e precisava de apoio para lidar com diferentes situações do cotidiano. Diante desse contexto, a equipe da Casa do Girassol construiu um acompanhamento individualizado.

Com o tempo, começaram a aparecer novas possibilidades. Joaquim passou a encontrar outras formas de se expressar, participar da rotina e se relacionar com as pessoas ao seu redor. Conquistas que, embora graduais, representaram avanços importantes em sua trajetória.

O que é a Casa do Girassol?

A Casa do Girassol é um serviço municipal de acolhimento institucional, em Teresópolis, no Rio de Janeiro, voltado para crianças e adolescentes que precisam de proteção diante de situações de vulnerabilidade e violação de direitos.

O serviço integra a rede de proteção social do município. Seu trabalho envolve oferecer acolhimento e cuidado, acompanhar as necessidades dos jovens e articular ações com familiares, serviços públicos e outros atores responsáveis pela garantia de direitos.

A atuação não se limita à permanência no abrigo. O acompanhamento também busca construir condições para que cada criança ou adolescente possa seguir sua trajetória com segurança, acesso à educação, convivência e vínculos fortalecidos, considerando as possibilidades de retorno à família de origem ou outras alternativas de proteção previstas para cada caso.

Como o CIEDS atua na Casa do Girassol?

Em parceria com o Município de Teresópolis, por meio de um Termo de Colaboração, o CIEDS é responsável pela gestão do projeto Casa do Girassol e a cogestão de seus recursos humanos.

Essa atuação contribui para a organização do serviço e para o trabalho cotidiano das equipes responsáveis pelo acolhimento. O cuidado exige atenção às necessidades individuais, acompanhamento contínuo e articulação com a rede pública de proteção.

No caso de Joaquim, o acompanhamento envolveu tanto o cotidiano na Casa do Girassol quanto a construção de condições para o retorno ao convívio materno. Durante sua permanência, ele foi incluído na rede regular de ensino e passou a participar de atividades esportivas, ampliando suas oportunidades de aprendizagem, convivência e participação social.

Paralelamente, a equipe acompanhou sua mãe, que também tinha uma trajetória marcada pelo acolhimento, e trabalhou em conjunto com a rede de proteção para apoiar a reorganização das condições familiares.

Reintegração familiar: um trabalho construído em rede

O retorno de uma criança ao convívio familiar exige avaliar e construir condições para que essa convivência aconteça com segurança, considerando as necessidades da criança e a realidade de sua família.

Na trajetória de Joaquim, a articulação entre a Casa do Girassol, a rede de proteção e a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos de Teresópolis contribuiu para viabilizar oportunidades de apoio à sua mãe.

Entre as medidas articuladas estavam o acesso ao Programa Operação Trabalho (POT), voltado à inclusão no mundo do trabalho, e ao aluguel social. Essas iniciativas contribuíram para criar condições mais estruturadas para o retorno ao convívio familiar.

Em setembro de 2026, Joaquim deixou a Casa do Girassol para voltar a viver com a mãe e iniciar uma nova etapa de sua história.

Sua trajetória evidencia a importância de um trabalho que considera não apenas as necessidades imediatas da criança, mas também os vínculos familiares, o acesso a direitos e a articulação entre os serviços públicos. O resultado é construído por uma rede que acompanha e busca garantir proteção.

Inclusão social e bem-estar: os números por trás do cuidado

A história de Joaquim integra um conjunto mais amplo de ações voltadas à inclusão social e ao bem-estar desenvolvidas no âmbito dos projetos acompanhados pelo CIEDS.

No relatório do primeiro semestre de 2026, os resultados dessa frente de atuação incluem:

  • 427.097 refeições distribuídas ao longo do semestre;

  • 2.212 pessoas com comida no prato durante seis meses;

  • 2.368 pessoas acolhidas em abrigos, das quais 55% são crianças com vínculos familiares interrompidos;

  • 1.301 pessoas egressas ou pré-egressas do sistema prisional atendidas.

Os números representam diferentes dimensões da proteção social: o acesso à alimentação, o acolhimento de pessoas que precisam de proteção e o atendimento a quem busca reconstruir sua trajetória após a passagem pelo sistema prisional.

Essas ações compartilham um objetivo: ampliar o acesso a direitos e criar condições para que pessoas em situações de vulnerabilidade possam encontrar apoio, oportunidades e caminhos para seguir adiante.