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Turismo de base comunitária: como o CIEDS fortalece empreendedores locais para ampliar geração de renda e desenvolvimento territorial

Notícia
21 setembro 2026
Turismo de base comunitária: como o CIEDS fortalece empreendedores locais para ampliar geração de renda e desenvolvimento territorial

Em parceria com a Embratur, por meio do EmbraturLAB (laboratório de inovação da Agência), o CIEDS implementa o Made in Brasil, iniciativa voltada ao fortalecimento de empreendedores do turismo no Rio de Janeiro, Salvador e Recife. No total, são oito territórios: Vidigal, Rocinha, Santa Marta, Providência, Mangueira, Babilônia e Chapéu Mangueira (RJ), Candeal (BA) e Brasília Teimosa (PE).

A proposta parte de uma compreensão clara: enfrentar a pobreza exige estruturar cadeias produtivas com potencial de geração de renda, profissionalização e inserção em mercados estratégicos. O turismo é uma delas.

Cidades como Rio de Janeiro, Salvador e Recife têm no turismo uma potência econômica estruturante. Apenas no Carnaval carioca, segundo a Riotur, mais de 8 milhões de turistas visitaram a cidade, injetando quase R$ 6 bilhões na economia local. Mas como garantir que essa riqueza também circule nos territórios populares que produzem cultura, história e experiências?

Empreender na favela: necessidade antes de ser escolha

Segundo a pesquisa Sonhos da Favela 2026, realizada pelo Data Favela, 38% dos moradores desejam abrir um negócio. Mas é fundamental olhar além do desejo: em contextos onde 34% trabalham na informalidade e seis em cada dez não têm renda fixa, empreender muitas vezes não é uma opção estratégica, mas sim uma alternativa diante da falta de oportunidades formais.

O Brasil tem 16,4 milhões de pessoas vivendo em favelas e comunidades urbanas, segundo o IBGE. O mesmo levantamento aponta que 65% dos entrevistados consideram urgentes políticas voltadas ao mercado de trabalho e 43% identificam emprego e renda como um dos principais desafios nas periferias.

Neste contexto, fortalecer negócios locais não é apenas apoiar sonhos individuais, mas sim enfrentar estruturalmente a instabilidade econômica.

Turismo de base comunitária como estratégia de desenvolvimento econômico

O Made in Brasil atua na formação e construção de redes entre empreendedores que já atuam ou desejam atuar na cadeia do turismo: gastronomia, hospedagem, guias locais, produção cultural e economia criativa.

A metodologia começa com formação estruturada e articulação em rede. A partir de ideathons locais (maratona de ideias), são selecionados negócios com maior potencial de crescimento. Esses empreendimentos passam por incubação, estruturando modelo de negócio, padrão de qualidade, posicionamento de mercado e estratégia de expansão.

O objetivo é profissionalizar esses atores para que operem com padrão competitivo, inclusive internacional.

Como desdobramento, o projeto também prevê a publicação de guias locais dos territórios participantes, reunindo contexto histórico, atores da rede formada e roteiros turísticos estruturados. Esses materiais ampliam a visibilidade, fortalecem a identidade territorial e posicionam as comunidades no mercado turístico de forma estratégica.

Impacto econômico + impacto social

O turismo de base comunitária articula renda, identidade cultural e fortalecimento territorial. Em cidades onde o turismo já movimenta um alto volume de recursos, integrar empreendedores periféricos a essa cadeia significa ampliar a distribuição de renda e reduzir desigualdades.

Além disso, territórios que estruturam redes produtivas tendem a fortalecer a autonomia econômica, especialmente de mulheres e jovens, públicos frequentemente impactados pela informalidade e instabilidade financeira.

Quando políticas de geração de renda dialogam com vocações reais do território, o impacto se torna mais sustentável a longo prazo.

Do fortalecimento local à estratégia nacional

A atuação do CIEDS na área do empreendedorismo parte de um princípio: não basta apoiar iniciativas isoladas. É preciso estruturar modelos replicáveis, com metodologia, monitoramento e potencial de escala.

O Made in Brasil se insere nessa lógica. São iniciativas que respondem a dados concretos, conectam-se a desafios estruturais e utilizam o turismo, uma das principais forças econômicas do país, como alavanca para a inclusão produtiva. O turismo brasileiro em 2025 registrou recorde histórico, com faturamento acumulado de R$228,1 bilhões (alta de 5,8%), segundo dados da FecomercioSP.

Se metade dos moradores de favelas acredita que alcançará seus sonhos, como aponta a pesquisa do Data Favela, o papel das organizações da sociedade civil é ajudar a transformar essa expectativa em infraestrutura de oportunidade.

Fortalecer empreendedores comunitários não é apenas dinamizar o turismo. É ampliar a circulação de renda, fortalecer redes locais e criar caminhos concretos de mobilidade econômica.

E isso, em um país com desigualdades históricas, é uma estratégia de desenvolvimento.